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No contra-ciclo por mérito próprio

Escrever neste mês um editorial sem referência à crise de dívida soberana que Portugal atravessa, seria impensável – é incontornável o tema.

Convém manter o sentido de perspetiva. Ainda que a crise seja real, só pelo trabalho dela sairemos. Trabalho, empenho, organização, racionalidade, mas também ousadia, risco e consciência dos fatores que asseguram sustentabilidade.

Afinal, 2010 já se projetara como ano de dificuldades… Que ocorreu com o INESC Porto? Já é seguro afirmar, pois as contas estão feitas: um crescimento notável – em dimensão, em projetos, em proveitos.

Podemos saber, portanto, que o INESC Porto, em 2010, executou mais 38% de projetos que em 2009, tendo esse incremento de atividade resultado num aumento de proveitos de 47%, traduzindo-se num incremento de mais de dois milhões de Euros associados à execução de projetos, relativamente ao ano anterior.

E importa afirmar que a maior rubrica relativa a proveitos corresponde à de Serviços de I&D e Consultoria, ou seja, contratação direta de ciência e tecnologia pelas empresas, e que representa 42% dos proveitos em projetos.

Por outro lado, a atividade internacional do INESC Porto registou também um incremento, tendo correspondido a 30% em faturação.

Ou seja, nas duas vertentes que importava estrategicamente acarinhar, o INESC Porto demonstrou robustez: na capacidade de transferir tecnologia para as empresas e na capacidade de assegurar uma presença internacional forte.

Estes dois eixos conferem ao INESC Porto, relativamente às flutuações dos financiamentos públicos com impacto mesmo em programas de investigação competitivos, uma dependência em grau muito menor do que outras instituições congéneres no país, pois apenas 14% dos seus proveitos em projetos têm origem direta nos programas da FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia].

É por isso que as duas apostas – a internacionalização e a capacidade de transformar conhecimento em valor – continuam a parecer corretas e nos permitem enfrentar a perspetiva de crise com alguma confiança, estribada em factos.